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[12/05/2010] - Dengue causa o maior nº de mortes da história de SP

Em 2010 foram registrados pelo menos 55 óbitos no Estado; o ano já é o segundo em número de casos notificados - 69.148
A Secretaria de Estado da Saúde deixou de divulgar, em site para acompanhamento da doença, dados oficiais sobre as mortes, apesar de a dengue ser de notificação compulsória, de acordo com a legislação brasileira. Também tem se recusado a conceder entrevistas sobre o tema.
- O Estado de S.Paulo
A epidemia de dengue que ocorre neste ano no Estado de São Paulo já causou o maior número de mortes da história da doença no Estado - pelo menos 55 - e é a segunda em total de casos - 69.148, perdendo só para a registrada em 2007.
O total de doentes em 2010 já corresponde a 74,8% do computado em 2007, ano em que foram notificados 92.345 casos da doença. As cidades de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Guarujá e Santos lideram.

A Secretaria de Estado da Saúde deixou de divulgar, em site para acompanhamento da doença, dados oficiais sobre as mortes, apesar de a dengue ser de notificação compulsória, de acordo com a legislação brasileira. Também tem se recusado a conceder entrevistas sobre o tema. Ontem, a pasta só forneceu os dados sobre óbitos depois de questionada, mesmo assim apenas o número deste ano.
Em janeiro de 2010, o Ministério da Saúde alertou que a reemergência do vírus tipo 1 da dengue poderia causar epidemias em São Paulo, Rio, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Roraima, Tocantins e Piauí, em razão de a população desses locais não ter contato com esse sorotipo desde o início da década passada.
As crianças são as que correm o maior risco, por terem maior probabilidade de nunca terem entrado em contato com o vírus. A situação só complicou com o calor e a chuva registrados.
No entanto, dados do próprio governo do Estado de São Paulo apontam que, em 2008, foram realizadas apenas pouco mais de um terço das visitas de apoio programadas nas residências paulistas para controle de focos do mosquito e orientações de prevenção. A principal ação preventiva contra a dengue é evitar o acúmulo de água, usada pelo mosquito da doença para reprodução.
Em nota, o governo estadual destacou que as visitas são atividades de apoio e que, como em 2008 houve baixa transmissão, não houve necessidade de ações como nebulização para combater o mosquito. Além de responsabilizar as chuvas e as altas temperaturas dos últimos meses pela epidemia, o governo informou que as trocas dos prefeitos pode ter gerado a epidemia e que "a participação da população é fator primordial no controle".
O vice-presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde, Odílio Rodrigues, concorda que fatores climáticos e ambientais contribuem para o quadro da doença, mas diz que as cidades que vivem epidemia precisam de mais atenção dos governos do Estado e federal. Secretário em Santos, município com 5.408 casos e 20 óbitos, ele destacou que um auxílio permitira ampliar o combate à dengue. "Se tivéssemos aditivos, facilitaria."
Morte aos 35. Juliana Augusto, jornalista, morreu de dengue hemorrágica dois dias depois de completar 35 anos. Morando em Santos e trabalhando no Guarujá, sentiu-se mal em uma quarta-feira e foi até a Santa Casa de Santos. Saiu medicada com um antibiótico para tratar de broncopneumonia. Teve febre e procurou outro hospital na quinta-feira, a Casa de Saúde, onde foi orientada a continuar o tratamento. Piorou na sexta-feira e no sábado voltou à Santa Casa, onde foi internada. Com convulsões, foi parar na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) na noite de sábado. Morreu na manhã de domingo. / BRÁS HENRIQUE, CHICO SIQUEIRA, FABIANE LEITE e REJANE LIMA

Site Transparência São Pauo

 
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