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[02/04/2008] - Sem Terra é executado dentro de casa

Trabalhador do MST, Eli Dallemole, 42 anos, foi assassinado dentro da sua casa, no assentamento Libertação Camponesa, em Ortigueira, no Paraná, onde morava com a mulher e três filhos.

Por volta das 19h30 de domingo (30/03), dois homens encapuzados invadiram a casa de Eli e executaram o trabalhador, na frente da família.

O trabalhador vinha sendo ameaçado de morte há mais de dois anos, mas as ameaças aumentaram após o ataque de um grupo de milícias armadas ao acampamento Terra Livre, na fazenda Copramil, em Ortigueira (proximo ao pedágio da BR 376), no dia 8/3.

As famílias Sem Terra já vinham denunciando a atuação dessas milícias na região há algum tempo. Segundo os trabalhadores, esse grupo de pistoleiros é comandado por um homem conhecido como "Zezinho", que é pago por fazendeiros da região. Suspeita-se que o assassinato tenha sido comandado ou mesmo praticado por este "Zezinho". Segundo o Cope (Centro de Operações Policiais Especiais), o pistoleiro está com prisão preventiva decretada.

Essas denúncias também haviam sido encaminhadas para a Secretaria Especial de Direitos Humanos do Governo Federal e para Polícia.

O MST cobra a punição dos responsáveis por mais um assassinato de trabalhador Sem Terra e a extinção imediata das milícias armadas, que já estão se tornando corriqueiras no Paraná.

Contexto

Em outro ataque promovido pelo mesmo grupo armado ao acampamento Terra Livre, aproximadamente 15 pistoleros aterrorrizaram as 35 famílias do MST acampadas na área e queimaram todos os pertences dos trabalhadores. Os trabalhadores ficaram apenas com a roupa do corpo. Muitos não conseguiram salvar nem seus próprios documentos. Crianças foram ameaçadas e arrastadas pelo chão. Mulheres e homens foram espancados.

Após o ataque sete pistoleiros foram presos em flagrante pela polícia e levados à delegacia de Ortigueira. Foi instaurado um inquérito polícial para investigação de formação de milícia armada pelo Cope, em Curitiba.

As famílias do Terra Livre estão acampadas no local desde de 2003.

 
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