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[22/02/2008] - Reservas superam dívida e Brasil passa a credor externo pela primeira vez
  

O Banco Central estima que o Brasil tenha passado a credor externo líquido em janeiro, quando os ativos do país (reservas internacionais) no exterior devem ter superado os passivos (dívida externa) em cerca de US$ 4 bilhões. O fato é inédito na história econômica brasileira e significa que o Brasil possui moeda estrangeira suficiente para honrar seus compromissos internacionais, o que lhe confere o título de credor externo.
A projeção consta de relatório divulgado nesta quinta-feira (21) pelo BC ressaltando a evolução recente dos indicadores de sustentabilidade externa do país. O resultado consolidado das contas externas de janeiro será divulgado na próxima semana.

Segundo a publicação, a redução da dívida externa líquida, dado obtido pela redução da dívida externa bruta pelo ativo do país no exterior - composto principalmente pelas reservas internacionais -, foi a mais expressiva de 2003 para cá.

"Nos últimos cinco anos, seu estoque passou de US$ 165,2 bilhões, ao final de 2003, para US$ 4,3 bilhões, estimativa para 2007. No primeiro mês de 2008, já se estima que esse montante se tornará negativo em mais de US$ 4 bilhões, significando que, em termos líquidos, o país passou a credor externo, fato inédito em nossa história econômica", disse o texto do documento.

Isso aconteceu principalmente pelo fortalecimento das reservas internacionais e o programa de recompra da dívida externa e de antecipação de pagamentos, que resultou na redução da dívida externa líquida.

Apenas no ano passado, as reservas internacionais cresceram 110% e chegaram a US$ 180,3 bilhões no final de dezembro.

"A análise dos resultados observados pelo setor externo da economia brasileira nos últimos anos e seus impactos nos indicadores de sustentabilidade externa mostram um inquestionável fortalecimento da posição externa do País", avaliou o BC no documento.

"Em resumo, diante de um cenário internacional por aumento considerável na incerteza, pela volatilidade dos mercados financeiros e desaceleração da atividade econômica, a melhoria desses indicadores tende a mitigar, embora sem anular por completo, o impacto de eventos externos adversos", avalia o relatório do BC.

 
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