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[01/06/2011] - Candidatura “Barriga de Aluguel”
A expressão “barriga de Aluguel” às vezes é utilizada quando determinada pessoa, querendo ser mãe, não consegue gerar a criança em seu próprio ventre, necessitando de um útero de outra pessoa, para levar adiante o seu sonho de maternidade. Essa situação, dependendo das pessoas envolvidas e das circunstâncias desse acordo, merece o reconhecimento e elogio, pelos sentimentos que despertam: O desejo da maternidade, o desprendimento, a solidariedade, a renúncia, etc, todos os sentimentos, muito nobres. Situação totalmente oposta quanto utilizamos o termo “barriga de aluguel” para designarmos candidaturas autônomas em busca de partidos que lhes forneçam “a barriga” necessária para viabilizar seus projetos. Invariavelmente, os sentimentos envolvidos nessa situação, não são nada nobres: personalismo, oportunismo, clientelismo, submissão, ânsia pelo poder, etc. É um verdadeiro desrespeito à democracia e à história dos partidos políticos, se bem que, muitas lideranças partidárias, não estão nem um pouco preocupadas com essa coisa de história, princípios e programas. Querer ser candidato é um desejo legítimo de qualquer cidadão. É até louvável sob determinado ponto de vista, que é a disposição de contribuir para a melhoria da política e das condições de vida de uma determinada localidade. Para tornar esse desejo em realidade, pelas regras da democracia é preciso que a pessoa seja filiada a um partido político, pelo qual tenha afinidade política, ideológica ou programática. Para isso servem os partidos políticos, para representar os diversos interesses existentes na sociedade. Portanto, querer ser candidato, e sair por aí procurando uma “barriga de aluguel” para viabilizar sua candidatura, não me parece correto. Demonstra desapego às regras da democracia, e preocupação muito mais com seus próprios interesses de poder do que o interesse pela representação política. Tem um ditado que diz mais ou menos assim: “O uso constante do cachimbo, deixa a boca torta”. Quem gosta de poder, não consegue ficar sem ele. Para se chegar ao poder, utiliza-se de qualquer meio, inclusive de um partido “barriga de aluguel”. Para esses pretensos candidatos não interessa o tipo de “barriga”, qualquer uma serve aos propósitos de quem almeja o poder. Dá-se início então, a um verdadeiro “concurso de barrigas” para ver qual é a que melhor abrigará as pretensões do neófito. Infelizmente, muitos partidos se lançam nessa disputa, sujeitando-se a cumprir esse papel coadjuvante, abrindo mão de sua história, princípios e de seus “quadros partidários”. Se até numa gravidez “barriga de aluguel”, onde as partes envolvidas são conhecidas (o pai, a mãe e a doadora da barriga), o imponderável pode ocorrer, imagine o que poder acontecer numa candidatura “barriga de aluguel”, onde a “barriga e o feto” são conhecidos, mas os “pais” (patrocinadores da candidatura) são desconhecidos? Pode não dar boa coisa.

Beto Cangussu – Advogado. Ex-vereador pelo PT.
 
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